Por que a “falta de governança” (ou imutabilidade) do Bitcoin não é um defeito mas sim uma qualidade?

Cryptomoeda (a junção de dinheiro + software) é algo novo e realmente é difícil determinar agora com exatidão (justamente por ser algo recente e não termos muito histórico para analisar) o que é mais vantajoso para armazenamento de riqueza em longo prazo: menos ou mais flexibilidade.

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Já apenas dinheiro é algo velho. Mais velho que a múmia do faraó. E sabemos que quando se trata de dinheiro, a imutabilidade é uma característica muito importante; há regras importantes como o controle de oferta (taxa de inflação), por exemplo. Pode-se dizer que o dinheiro estatal é altamente mutável comparado ao ouro, porque suas regras de oferta mudam o tempo todo e é controlada pelo governo. E, mesmo o ouro, não é totalmente imutável se pensarmos que sua oferta pode ser de repente expandida por uma nova mina de ouro, um meteoro ou um hipotético ouro artificial. Pensando no Bitcoin apenas como dinheiro (esquecendo um pouco que ele também é software como dito anteriormente), ele é muito superior às cryptomoedas mais mutáveis, como uma que está tendo um pequeno hype na comunidade brasileira por conta de um marketing invasivo e exagerado. Afinal, essas moedas mais mutáveis podem, por exemplo, alterar a oferta ou alguma regra econômica importante sob a pressão de instituições externas, ou por puro interesse dos stakeholders em algum caso específico. Stakeholders podem também, por exemplo, reverter mais facilmente transações que eles considerem prejudiciais, assim como aconteceu com o bailout do The DAO.

Já apenas o software não é tão antigo como o dinheiro, mas já tem algumas décadas. Sabemos também que o software é a todo momento ultrapassado por outro bem melhor, e a sua evolução é muito rápida. Muitos defensores de cryptomoedas mais mutáveis usam o argumento de que o Facebook praticamente matou o Orkut e MySpace, ou que o Spotify matou o Winamp, e dessa forma o Bitcoin poderia ser facilmente superado por uma moeda supostamente superior. Nesse aspecto, pode-se conjecturar que uma moeda mais mutável seja superior ao Bitcoin pois pode se adaptar com a necessidade: se aparecer alguma outra cryptomoeda capaz de fazer alguma coisa muito mirabolante, com pouco esforço essa moeda mais mutável também poderia incorporar a funcionalidade.

Tendo dito isso, há três fortes argumentos em favor do Bitcoin:

  1. Uma cryptomoeda é antes dinheiro que software. Por que digo isso? Porque o software em si é só um meio de alcançar o fim que é o dinheiro. Os requisitos de uma cryptomoeda devem responder perguntas como, mas não limitadas a:

    “Funciona bem? Eu posso transferir para qualquer lugar do mundo? Eu posso guardar em longo prazo? Tem fungibilidade razoável? Não tem inflação? É razoavelmente estável?”

    Se a resposta é: SIM para elas, então significa que o software já é adequado o suficiente. Se a resposta é NÃO, então todo o projeto já está inviabilizado e não pode mais ser considerado sequer um dinheiro ou cryptomoeda. Dificilmente alguém inventaria algo mirabolante que ultrapasse a principal inovação de qualquer cryptomoeda: o poder de ser portável e intocável por agentes externos; o poder que o ouro não tem (ver meu artigo O Bug do Ouro).

  2. Ao permitir que o software seja facilmente mutável, você corre o risco de, numa tentativa de melhorar, inserir novos bugs, bugs desconhecidos em features pouco testadas – como bem sabemos ser bastante comum em qualquer desenvolvimento de software. Não só isso como uma alteração no núcleo pode inserir características que afetem toda a economia da moeda, como por exemplo aumentar a oferta. – fazendo com que uma daquelas perguntas do item anterior corram o risco de ser “NÃO”, tornando o projeto totalmente inviável como dinheiro, fazendo então com que o seu valor caia pra algo próximo de zero ou zero em algum caso mais catastrófico.
  3. O Bitcoin não é totalmente imutável. Portanto sabemos que pelo menos os bugs críticos de segurança, que podem inviabilizar o projeto como dinheiro (resposta NÃO para alguma das perguntas do primeiro item) serão resolvidos de forma muito rápida, como já foram no passado, conseguindo consenso geral, de nós e mineradores em pouquíssimas horas (da última vez foi aprox. 6 horas de instabilidade na rede, sem afetar hodlers de nenhuma forma).

Conclusão

O sistema de consenso adotado pelo Bitcoin que exige que praticamente todo nó participante da economia, bem como a maioria dos mineradores, atualizem o sistema para que uma nova regra no protocolo seja adotada, é uma característica que dá valor ao Bitcoin, e não o contrário.

O Bitcoin fica então mais protegido a ataques externos. Um meio de armazenar riqueza em longo prazo que não pode ser controlado diretamente por ninguém e que é portável certamente será alvo de atacantes. O núcleo não pode ser vulnerável.

Como será o Bitcoin daqui 10 ou 20 anos? Será bem parecido com o que temos hoje. As regras são bem conhecidas. Como será aquela-moeda-mutável daqui 10 ou 20 anos? Será bem melhor ou fará mudanças catastróficas? Onde parece mais seguro manter sua riqueza armazenada em longo prazo?

Por que mudei de ideia em relação a altcoins

Campinas, 1o de abril de 2017.

Eu estava tão errado! O que eu chamava de scamcoins, lixocoins ou shitcoins, eu agora amo! Idolatro.

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Antes de tudo é necessário admitir que altcoins não são concorrentes diretas do Bitcoin (The Digital Asset™) e nem ameaças ao sonho da existência de um asset digital soberano, distribuído, estável, robusto, seguro, repleto de ferramentas, carteiras, exchanges, cartões, hardware wallets, como também mundialmente utilizado e reconhecido como dinheiro. Imagina! São todas amiguinhas; de forma nenhuma quem tem Bitcoin e promove alts é masoquista. Para se ter um dinheiro digital distribuído forte e confiável é necessário saber que ele pode ser tecnologicamente ultrapassado a qualquer momento por alguma outra cópia mal feita, impulsionada por FUD [1], mentiras e que, principalmente, resolvem problemas não-problemas de facto.

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Diferente de antes, não acho mais que Bitcoin seja antes dinheiro que um simples software. Como condição de um software, ele pode se tornar obsoleto a qualquer momento. Quem não se lembra do Orkut ou MySpace? O dinheiro não pisca? Não solta bolinhas? Não tem problema! Logo virá uma altcoin para superá-lo que pisca e solta bolinhas. Uma utilidade super essencial para que se possa armazenar riqueza em longo prazo e se proteger de agentes agressores externos. E aí a altcoin que superar o Bitcoin que pisca e solta bolinhas não tem florzinha? Tudo bem também, logo virá outra que terá bastante florzinha e a gente migra toda nossa riqueza de novo, de uma forma bem suave e tranquila, num dump & pump para a nova moeda. Dessa forma nossa riqueza produzida e acumulada com tanto suor e trabalho fica num universo digital bastante estável e confiável.

Hoje especialmente, dia  1o de abril, também acho que quanto mais altcoins, mais descentralizado é o mundo crypto. De forma alguma um hipotético interessado em destruir o ecossistema de moeda digital descentralizada vai pensar em “dividir para conquistar” e tentar enfraquecer a moeda mais forte, espalhando mentiras e promovendo lixo. Que exagero pensar nisso! Quem segura e promove altcoins apenas quer um lucro rápido, fácil e com pouco trabalho; super normal. É apenas um pequeno atalho que não tem nada de imoral, como quase tudo que dá lucro rápido e fácil. O que importa é ganhar mais dinheiro, não é mesmo?

Como prova de que agora eu amo altcoins, vou listar aqui algumas das minhas preferidas:

Ethereum

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Sair de 4% para quase 18% de market share de janeiro a abril não é nada suspeito. É a prova viva de que esta lixoco…, ops, altcoin, vai superar o Bitcoin rapidinho. Associar-se a grandes corporações [2] já bastante enraizadas com importantes governos não é nada suspeito também. Também é bastante louvável o fato de que a moeda tenha o desenvolvedor principal bastante ativo e considerado praticamente um rei [3]. Inserir uma enorme complexidade no dinheiro também é algo bastante desejável, sem perigo algum [4] [6] [7]. É exatamente onde quero colocar toda minha riqueza, assim que o Bitcoin se tornar de repente obsoleto!

Também me tranquiliza bastante o fato de que um fork não consensual foi feito para salvar fundos “roubados”. Assim que um agente agressor achar que há algum problema basta uma pressãozinha e a comunidade pode julgar o  caso por livre e espontânea pressão e fazer um fork pra arrumar tudo. Forks desse tipo também são super bem vindos e são a prova de que não há nada a temer com isso. A divisão ETH x ETC foi super tranquila e não causou nenhuma confusão no mundo crypto. De repente os Ethers duplicaram magicamente e as pessoas tiveram que escolher por onde seguir [5]. Algo bem simples para uma pessoa comum. Podemos falsif… ops, forkar sempre, criando ETD, ETE, ETF, seria ótimo, quanto mais melhor! Ah! E o fato de que o ETC é o Ether original e o ETH é a falsif… ops, fork, também acho que não tem problema algum.

Compre Ether e ajude a enfraquecer o Bitcoin!

Dash

Essa aqui é uma das minhas preferidas. Primeiro que é um clone do Bitcoin, um fork no código. Adoro o fato de que ela se chamava “Darkcoin”, um nome que transparece bastante segurança e transparência. Também acho exagero dizer que o instamine [8] foi um golpe. A nova feature de deixar algo que já era anônimo o suficiente [9] mais anônimo ainda é impecável [10].

Conceitos como de nós super poderosos também não parece uma ameaça à descentralização. Afinal, quem precisa de tanta descentralização assim também? Talvez a descentralização do Bitcoin seja um exagero. Descentralizado demais, nem precisa.

Outro conceito que parece maravilhoso é o de “auto governança”:

In Dash, everyone has a voice and the ability to propose projects directly to the network. (…)

Imagina que maravilha? Democracia é algo infalível, já provou por A+B que é de longe o melhor sistema de governança. Reuniões de condomínios que o diga [11]! Aí é onde eu quero armazenar a minha riqueza em longo prazo. Um asset que muda de acordo com o humor dos usuários. Isso também deve ser super difícil ser manipulado por quem queira destruir a moeda.

Vcash

Vcash ainda vai ressurgir das cinzas, anotem! Próximo verão. Por favor, esperem sentados.

Decred

Essa moeda eu adoro porque ela tem um marketing incrível e pouco invasivo. Ela apenas paga um monte de idiotas úteis que ficam criando spam e FUD [1] em grupos de Bitcoin, algo completamente normal e saudável, que não levanta nenhuma suspeita moral.

Além disso, como a Dash e tantas outras, é uma moeda que promete ser “democrática”:

Decred is an open and progressive cryptocurrency with a system of community-based governance integrated into its blockchain.

Não vejo a hora de comprar um monte pra conseguir governar loucamente esse troço.

Litecoin

Um clone quase idêntico do Bitcoin, só que melhor. Ela evita que pessoas possam construir ASIC e a mineração seja mais acessível e distribuída. Parece exagero afirmar que se essa moeda tiver algum valor relevante no mercado fará com que a mineração fique concentrada nas mãos da Intel, uma das poucas fabricantes de chips super complexos capazes de minerar Litecoin de forma mais otimizada. Quanto mais complexo o algoritmo de mineração, mais descentralizado. Isso parece fazer bastante sentido, tanto quanto uma abelha que gosta de nadar.

Tantas outras

São tantas outras altcoins lindas e maravilhosas que nem cabem mais aqui neste post. É uma shitco… ops, altcoin mais linda que a outra!

Notas e referências

Bitcoin como metal precioso

Uma outra analogia interessante para explicar o que é Bitcoin, além da analogia de que Bitcoin é um pedaço de terra já descrita no artigo A fabulosa ilha Bitcoin, é a analogia de que Bitcoin é um metal precioso [1].

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Um metal que, assim como o ouro e outros metais preciosos, é muito escasso e bastante divisível. Só pode ter 21 milhões de unidades no máximo, sendo que cada unidade pode ser dividida em até 100 milhões de vezes. O processo de mineração também não é tão diferente de um metal: no início é mais abundante e fica cada vez mais difícil minerar ao longo do tempo.

Mas, diferente do ouro e outros metais preciosos, ele é bem feio. Na verdade, é quase invisível, pouco palpável, uma coisa meio esquisita. Apesar disso, ele tem uma característica que faz dele um metal extremamente útil para armazenamento de riqueza e muito mais atraente do que o próprio ouro: ele é teletransportável [2]. Ou melhor, é possível transportá-lo através da Internet. Em qualquer lugar do mundo em que a Internet possa chegar, o bitcoin poderá chegar em aprox. 10 minutos. Além disso, ele também pode assumir uma forma física (paper wallet ou Opendime™) e também ser armazenado em cofres, da mesma forma como o ouro e outros metais para que, no futuro, seja transformado em sua forma digital novamente, podendo ser então armazenado em celulares, computadores, e dispositivos próprios para tal, como o Bitcoin Trezor ou Ledger, por exemplo.

Parece coisa de filme, não? Uma mistura de Tron (1982) e The Matrix (1999). Pois é, o futuro chegou e o bitcoin está mudando completamente a forma como a riqueza mundial é armazenada e transportada.

Notas e referências

Museu do dinheiro em 2066

Este artigo iria se chamar “os prós e os contras do banimento de dinheiro em espécie para o sucesso do Bitcoin”, porém decidi fazer num formato um pouco diferente.tumblr_oius0wblt11uo3k2so1_540

Eu costumo criticar os utilitaristas utópicos em ficar tentando prever o futuro, imaginando uma sociedade perfeita e ideal, botando a bola de cristal pra funcionar. Como se não bastasse ser bizarro tentar prever o futuro, essa bola de cristal parece ainda bem quebrada e imprecisa. Quando falamos de uma sociedade que rejeita a agressão física sempre surge questionamentos como: “isso não daria certo”, “e as estradas?”, “e as pessoas más?”, “pra isso funcionar todo mundo teria que ser bonzinho” etc. Especulações mediúnicas totalmente sem sentido.

Apesar disso decidi botar a minha bola de cristal pra funcionar. Então, vamos lá.

Nota importante: este post não foi patrocinado por nenhuma empresa.


Ano de 2066.

– Papai, papai.

– O que foi, filhote?

– Nesse museu da história do dinheiro diz que já tentaram banir o dinheiro de papel, lá por volta de 2020, uns 50 anos atrás, é verdade?

– É verdade, filhinho. O pior de tudo é que conseguiram. Esse dinheiro de papel que usamos hoje não tem nada a ver com o dinheiro de papel daquela época. Você acredita que cada país usava um tipo de papel diferente? Na verdade, uma moeda inteiramente diferente. Toda vez que a gente ia pra algum outro país tínhamos que converter essa moeda numa casa de câmbio.

– Sério papai? Como assim?

– Sério Sérgio. Na verdade, ainda tem papel moeda em alguns países, nem todos aboliram o tipo de dinheiro que se usava naquela época.

– Hmmmmm. E, se não era como o nosso dinheiro, como era então?

– Serginho, se eu contar você não vai acreditar. Primeiro que não era de plástico flexível como o nosso, era de papel mesmo, papel papel. Daí o nome “dinheiro de papel”, mesmo sendo de plástico. Também era conhecido como “dinheiro em espécie” ou “papel moeda”.

– Aahhhh! Agora faz sentido esse nome.

– Pois é! E, pasmem! O pior está por vir: era um papel impresso, sem circuito eletrônico nenhum. Não era um Opendime v6 com Bitcoin dentro. Era um papel só, sem nada dentro. Difícil de explicar.

– Como assim papai? Como era possível? Não tinha nada dentro? Só um papel? Como eles sabiam que não era falso? Qualquer um podia imprimir então?

– Na verdade eles inventaram algumas coisas na impressão, como relevo, marcas d’água etc. que dificultavam um pouco a falsificação sim, mas não impedia. Mas o problema é que o próprio governo da época, nessa época que existia governo, falsificava oficialmente o dinheiro, imprimindo cada vez mais e mais, descontroladamente, gerando uma coisa que se chama “inflação”. E só o governo podia imprimir; ele tinha o monopólio da impressão. Se alguém fosse pego imprimindo era multa e cadeia.

– Como assim? Tinha um negócio chamado “governo” que podia ficar imprimindo dinheiro? Então esse coiso eu deduzo que era bem rico? Então o mundo todo na verdade era bem rico, já que era só imprimir mais e mais?

– Não não, Sérgio. Não funciona assim. Se você imprime dinheiro, é uma forma de falsificação. Isso significa que quem tem o dinheiro guardado terá um dinheiro que vale um pouquinho menos. Quanto mais imprime, menos vale cada nota de dinheiro. Na prática, as coisas, produtos e serviços, ficavam mais caros. O preço de tudo começava a subir. Isso era a “inflação”.

– Ué. Então por que as pessoas deixavam isso acontecer?

– Então. As pessoas confiavam cegamente nesse coiso chamado “governo”. Era uma espécie de religião. As pessoas realmente ficavam cegas. Elas acreditavam que era necessário essa entidade máxima, uma espécie de deus pagão para que tudo “funcionasse”. Eles usavam bastante esse termo “precisa ser assim pra funcionar”, seja lá o que eles queriam dizer com isso. Esse governo envolvia rituais misteriosos, crenças, ameaças de violência física e violência propriamente dita para que fosse possível enganar e controlar tanta gente.

– Nossa! Ma… Mas… Não existia o dinheiro na forma digital, como hoje?

– Sim. A maioria do dinheiro era digital. Mas, acredite se quiser: era apenas um número num banco de dados num sistema central. O que tornava muito mais fácil ainda a falsificação. Bastava quem controlasse esse sistema adicionar uns zeros a mais. As pessoas realmente não tinham noção do que estava acontecendo. Elas realmente acreditavam que, se todos fossem no banco ao mesmo tempo trocar a forma digital por física, todos sairiam com uma nota física. Quando, na verdade, as notas físicas representavam apenas uma pequena parcela do montante todo.

– Como assim “central”, pai? Sério isso? E como alguém confiava num troço desses?

– Sério, bebê. Seríssimo. Também não sei. Eu mesmo, pra falar a verdade, quando tinha a sua idade, também não entendia direito o que acontecia. Eles eram bem convincentes. E aprendíamos desde pequeno a respeitá-los. Mas tudo mudou bem rápido, ainda bem!

– Tá bom. Mas como então o dinheiro de papel foi um dia banido e como depois chegamos ao dinheiro Opendime v6, da forma como é hoje? Uma nota de plástico flexível com um circuito eletrônico impresso que pode ser verificado com exatidão matemática?

– Tecnologia, né meu filho? Em 2009 um maluco chamado Satoshi Nakamoto descobriu o Bitcoin, uma forma de ter aquele banco de dados com os saldos distribuída e confiável, sem controle central. Foi aí então que por volta de 2016 aconteceram duas coisas quase simultâneas que contribuíram para tudo andar rápido:

1) os governos começaram a banir o papel moeda. Começou na Suécia, depois Índia, Venezuela, Austrália, China, e por aí foi. Na verdade, eles queriam mais controle, e um jeito mais fácil de falsificar. Mas isso foi um tiro no pé absurdo. As pessoas tem a necessidade de algo físico; elas acreditavam que podiam trocar a forma digital pela física a qualquer momento. Era isso que mantinha a fé de muita gente no dinheiro da época. Se você tira isso, você começa a fazer as pessoas questionar o que é realmente o dinheiro. A população mais pobre também não tinha acesso a contas bancárias, cartões etc. e o dinheiro de papel sempre se fez necessário em diversas situações. Sem contar as pessoas que propositalmente não queriam ser controladas e vigiadas pelo governo. – E um problema desse banimento na época era que o governo finalmente conseguiu uma boa desculpa para banir também o Bitcoin. Se o Bitcoin não podia ser banido porque papel moeda também era anônimo, agora que não existia mais nada oficialmente anônimo, o Bitcoin podia ser banido porque estaria fora do controle governamental.

2) um outro maluco chamado Rodolfo Novak, um brasileiro aliás, conseguiu materializar de forma definitiva o Bitcoin no Opendime v1. Aquilo foi um sonho! Transformar uma coisa puramente digital, que era o Bitcoin, numa coisa totalmente física. Parecia coisa de filme. Foi então que esse aparelhinho foi aprimorando, na versão 2, depois 3 até chegar na 6, da forma como é hoje. E, você também não vai acreditar, eu é que mandei um twitter para o Novak sugerindo que a próxima versão fosse de plástico flexível. Tudo bem que demorou bem mais do que eu gostaria, mas finalmente o futuro chegou!

– Ah! Entendiii! Pai, pai, agora me dá 100 Satoshis por favor pra eu comprar um cappuccino?

– Claro!

Tiro do bolso então duas notas de 50 Satoshis cada e entrego pro meu filho.

– Tome Serginho, vai tomar o seu cappuccino.

Enquanto isso abro meu tablet e compro a principal revista de Tokyo em formato digital por 1.000 Satoshis.

The fabulous Bitcoin Island

Translated by RodHenrik and proofreading by danielpbarron (original).

Hello! My name is Felipe, and I am a proud resident of fabulous, magnificent, mysterious and newly discovered Bitcoin Island. I own a small area of ​​this beautiful island, and was also among the first to move here in 2012, just three years after its discovery.
- autor desconhecido
– unknown author

Many friends ask me: where is Bitcoin Island? How big is it? When was it discovered? By whom? Why did you buy land on this island? Why not another island, if there are so many? Is it worthwile to live there? If I live on the island, will I make lots of money? Or lose? Is it like the island in the television series “Lost?” They say it’s an unsafe island; there are pirates who steal land! Still others warn that the island is a scam, it does not really exist, it’s all virtual, all imagination! Also I have heard that it will explode at any time, and sink into the sea, disappearing completely from night to day. Or, it is not economically feasible or self-sustaining; that the land has no value, or that it has no real utility.

The biggest nonsense I’ve ever heard, I swear, was that the island would be a grand scheme to enrich the founder and the first residents; that it could only be sustained if more and more people were living in it, indefinitely, until hour after hour, people would notice the “big scam” and sell the land at any price, causing general chaos and a mass escape.

As I am a resident and eternal admirer of this island, I will clear up some mysteries.

Welcome to Bitcoin Island!

► How did this island come into existence?

The island is still little known and little explored. It was discovered by Satoshi Nakamoto in early 2009. He is a skillful navigator, but anonymous and mysterious. No one knows for sure if it is just an individual, or if the name represents a group of visionaries. Legend has it that he was an anti-pirate, and that his goal in life had always been to discover a new island; not unlike the island of Gold, but much more modern and useful.

A magic air hovers on the island because it has some really unusual and unprecedented properties. In fact, it is so very technological that it is easily confused with magic.

“Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”
— Arthur C. Clarke

I spoke of the Lost island earlier because it has mysterious characteristics similar to those of Bitcoin Island. The main difference is that the island of Lost is fictitious and virtual, whereas Bitcoin Island is real, despite being digital. But in common, little is known about who discovered the islands, although there is much speculation. It has no central command. It has no president, king or governor. It isn’t dominated by any gang, mafia, criminal organization or state. It doesn’t belong to a single person or entity. Bitcoin island is a set of small and large property fragments. It is like Gold island, but with an emphasis on freedom.

► Where is Bitcoin Island?

The island does not have a fixed geographical location or center; there is no single point on the map. It is part of the digital dimension, which is difficult to abstract and understand; it’s at various points around the globe simultaneously. To be exact, currently (May, 2015) it is located at about 6`000 points spread over the globe. And it moves! It comes out of one place and enters another, all the time and very quickly. Each point contains the entire island.

It is difficult to understand, but the entire island is located in several places at once, and moving. This is one of the many properties that make the island so special.

Here is a photo-shaped “heat map” showing where the island is right now (May 22, 2015 at 03:37 EDT) on the globe:

localização da ilha Bitcoin em maio/2015
Location of Bitcoin Island in May, 2015.

► What is the size of Bitcoin Island?

It has 21 million square kilometers (4.11% of the land area, or 21 trillion m² – bits), with only 14 million square kilometers having been explored to date (approx 66%). The unexplored areas are difficult to access and no one has yet managed to reach them. The explored area, some parts are very busy, exchanging owners at all times, and other parts have been reserved and remain intact.

► Is it possible to know who is the owner of each area?

This is another interesting feature of the island: for not having a central control, all property is anonymously registered in a decentralized manner.

One notable difference to other islands, such as the Gold Island, is that physical force was needed in order to secure property. From its beginning, Bitcoin Island has plasma shields that protect solidly every bit of property; unathorized access is denied by the construction of the system.

by Itachou
by Itachou

On the well-reserved areas which remain intact, it is not possible to know if the owners have died, or if they have simply lost access to it, or if they keep it to use as a “summer home.” The owner is granted access by way of a special key called the “private key.” This private key is nothing but a code, and can be anything: it can be a large number, words or phrases. That’s all the owner needs to store carefully, and he can store this in his mind, a piece of paper or in encrypted digital form.

- autor desconhecido
– unknown author

In the busiest areas it is not possible to identify who the owners are, but you can see them transfer property amongst each other.

All reserved area has a public address which is a sort of identification code. It looks something like this: 1LipeR1AjHL6gwE7WQECW4a2H4tuqm768N and its owner is not known by default, although he can publish a signed message in order to establish a relationship between himself and the coresponding property.

In the example above, this code is an area that belongs to me, and the owner is publicly known. But the island’s tradition is that the owner of an area is unknown.

Anyway, another very important feature is that, although I have declared that I own this address up there, no one else but me can prove definitively that I still possess access to that address. At best one could raise suspicions about the real owners, but it’s still very complicated.

The owner can, through a signed message, demonstrate that he has access to that area at any given time. That’s how he can transfer his property to other possible interested parties after a negotiation. But it can’t be proven that he has not lost access right away. Imagine that the private key, the secret code that gives access to the owner, is stored on a piece of paper. Now imagine that this paper has caught fire. In this case, the owner no longer has access to the private area, and no one can prove otherwise. This feature allows for extra protection against pirates or central governments trying to extort the victim to steal or confiscate his land.

Here is an example of proof that I have access to the address 1LipeR1AjHL6gwE7WQECW4a2H4tuqm768N. I have signed the header for block height 357652, which is 000000000000000003bee311c38ead2b8b6b9d5465f5612e95dce5193a0a50d1 resulting in: HMcYZN5mfF2kR7tn1J8llv3KmJOPuf/kDrm+tqPPH5MzHcDkuey6LHQCyqDRGLE2biS+syNr5Ds82juz9abPyZk=

Any person, even if not an island resident, can verify mathematically through this digital signature that I still possess access to that address at least so far, on May 23, 2015 at 00:51 EDT.

► Can new areas be discovered or exploited?

As the current time (May, 2015) there is still about 44% unexplored area, or approx. 7 million square kilometers. The island attracts the attention of more and more explorers and bounty hunters who make tireless search for new lands, seven days a week, 24 hours a day.

It is estimated quite accurately that the island will be fully exploited in the year 2140. But in 2030, 99% of it will have already been discovered, and in 2040 about 99.8%.

by ivany86
by ivany86

These explorers face dangers, and it is very difficult to tame these new lands; currently only very qualified professionals with a lot of investment can find something. To find them, some take ownership and move over there. Others raffle off the area and pass the pieces to new owners, like an old or new resident of the island, for example. In exchange for the newly discovered land, these explorers seek some other land on another island of their choice, or even exchange for other goods and services in general.

Some explorers are not actually concerned with living in Bitcoin Island; they are only interested in the reward, but prefer the security and stability of an older island such as Gold Island. They might also prefer an island controlled by a criminal organization, like Real Island, run by the corrupt Vilma mafia, or Dollar Island, commanded by Ocama’s mafia.

previsão de exploração da ilha em milhões de km² ao longo dos anos
Island exploration forecast million square kilometers over the years.

► Who is in charge of the island’s security?

These explorers are often called “miners”, which is a reference to the mineral explorers. They are very important to the island because they make it safe. By moving quickly around the island in search of new lands, they guard against the pirates and thieves. They also take fuel (large batteries charged) for the island’s decentralized equipment, ensuring that the intricate technology continues to function beautifully.

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But what when there is no more land to be explored? How then will the safety of the island be ensured? What will be the incentive to provide “security” when the lands have been exhausted? Although there is no central government, there is an optional collaborative fee that most island residents voluntarily contribute in order to maintain their security. This rate is distributed among all explorers. Every time an area of ​​land changes hands, the previous owner can separate a small (insignificant) sub-area to distribute to all explorers. As a small — but sufficient — part of the island is quite busy and exchanging owners at all times, small added optional fees become significant and feed the explorers, who also make the island safe.

► When was the island discovered?

A map was published openly in November of 2008 with all the technological instructions for its construction. That’s right: the island did not exist in nature before. To be more precise: this kind of island, fabulous and with “special powers”, simply did not exist in any way! None at all. Despite having been released only in 2009, the map was found and used to build the first fabulous island, then named Bitcoin Island.

- the map
– the map

Satoshi Nakamoto has figured out how to get to the island, and to build its technological gear which has proved so far quite efficient and practical; it has amazing features that attract many new residents all the time.

Before 2009, there was no fabulous island. Just the ordinary and outdated, like Gold Island and Dollar Island.

► What is the Island worth?

It’s difficult to determine an accurate value because the lands are traded at all times on worldwide free markets. Areas of Bitcoin Island are traded for areas in other islands. The price per unit of land on Bitcoin Island is the highest, but its total value is dwarfed by other islands.

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To give you an idea: right now, on May 23, 2015, 1 km² (1 BTC) or 1 million m² (1M bit) of Bitcoin Island can be exchanged for approx. 760 m² of Real Island (R$ 760.00), 240 m² of Dollar Island (US$ 240.00) or 6000 m² of Gold Island (6g). And to compare the size of the islands, while Bitcoin Island has 21 million square kilometers (21M BTC), the Royal Island has 3 million square kilometers (3T R$), Dollar Island has 60 million square kilometers (60T US $), and Gold Island has 1.5 million km² (1.5M kg). In other words, 1 m² of Bitcoin Island is worth approx. 7.6 cm² (R$ 0.00076) of the Real Island.

To facilitate comparison – quite roughly – today, 1% of Bitcoin island can only be exchanged for 0.003520% of Real Island, 0.000057% of Dollar Island, or 0.000486% of Gold Island. Theoretically, the entire Bitcoin Island is worth approx. 0.3% of Real Island, and 0.0057% and 0.0486% of Dollar Island and Gold Island respectively. I say “theoretically” because not all the land on Bitcoin Island is for sale, and not all owners are willing to sell it at current market prices. Therefore, it is very likely that if someone tries to buy the whole island, the market price will shoot up to an exorbitant value compared to the current estimation, and no one can actually buy all the land.

This low value of land relative to the other islands is today mainly for two reasons. 1) Bitcoin Island is extremely new, virgin forest, without any infrastructure. People in general do not have the confidence to buy land or change settings. Not to mention the dangers inherent in a land little explored. It was discovered only in 2009, and above all has a technology never before seen; it is normal to distrust such a thing. As stated in the introduction, many uninformed or dishonest spread lies about the island. They create legends and myths, saying the “magic” technology is actually a great curse. 2) The land is still worth very little. This is a problem not unlike the “chicken and the egg.” Few people venture to buy land because its market value still fluctuates considerably, but the value fluctuates because so few people venture to buy and remain owners of the land.

valor do km² da ilha Bitcoin por m² da ilha Doleta (log)
km² of the value of Bitcoin island by m² of Dollar Island (log)

Fewer people would consider moving to the island as I did. Thus, the island remains with little infrastructure. Its advanced technology also makes it difficult for common people; it is only attractive to geeks in general. Its current population is basically composed of explorers, nerds, technologists and courageous idealists who seek a free and futuristic earth.

► When did they start to move to the island and who currently lives in it?

The first resident of the island, of course, was Satoshi Nakamoto. It is estimated that he is the owner of about 1 million square kilometers, pioneered by himself as soon as he moved here during 2009 and 2010. The first land was very easy to explore. Low difficulty attracted other curious explorers as early as 2010. People who ventured to explore the island were unsure whether they would receive something in return, or even if the island had something special. By mid-2011, about 28% of the land had already been discovered. Other people who arrived at that time were able to buy lots of land at prices really low. In early 2011 it only took 1 m² of Dollar Island to buy 3 km² of Bitcoin Island.

The market underestimated, even more than today, the real potential of the island. Some original owners, tired of living in a sparsely populated island, got rid of thousands of square kilometers of land for ridiculously cheap prices. Some even donated hundreds of square kilometers. There was a case that ended up being famous, exactly five years ago, when an owner exchanged 10`000 square kilometers of land for a pizza, on May 22nd. Today 10`000 km² of Bitcoin Island can be exchanged for approx. 214`000 pizzas.

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► What makes this island so good? Why is it good to live there? What are the advantages and disadvantages compared to other islands?

It’s really great to live on Bitcoin Island; I am personally very satisfied living here since 2012. I also have a little land on Real Island because all my family and friends live there, but I spend most of my time on Bitcoin Island. Some friend also have land around here, but few venture into moving altogether.

Besides having an incomparable beauty and several interesting features and “magic”, the island can not – by its intrinsic nature – be controlled by organizations of dubious morality, like state gangs or pirates and scammers in general. Freedom and modern technology are the two main motivations and reasons to own land or live here on the island.

Even without government or central control, the safety provided by explorers and energy from decentralized sources guarantee good, robust property rights for an individual who has laid claim to a particular piece of land.

And to exemplify the advantage of living in a free island: in 2014, 1.8 million square kilometers of land were confiscated on Real Island. In addition, these State islands can create “false papers”, i.e. print “valley land” which actually has no real corresponding land. They flood the market with “lands” that can not be exchanged for actual land. This process is called “inflation,” and does not occur on Bitcoin Island because the land is in fact guaranteed by the owners of the island’s technology and not by false papers.

It is true that free islands such as Gold Island can also be physically very beautiful. They have almost all the advantages of freedom as Bitcoin Island, and are much more traditional (have thousands of years of trust). No wonder that the land on Gold Island are worth about 2`056 times more than the lands on Bitcoin Island. But Bitcoin Island has two main advantages: 1) A time advantage. It is still very undervalued, or very inexpensive and has a huge potential. 2) It is much more modern and has a lot more interesting properties than Gold Island. It looks like a “magical island” when compared side by side.

► So… Is the island free from pirates and scammers?

Unfortunately, despite having a rock solid security structure, Bitcoin Island is not free from external attacks. A scammer can, for example, trick someone into disclosin his private key with promises of multiplying his land. Or they might simply ask the owner to hand over his key for “safe keeping.” Amazingly, out of sheer ignorance, many people end up falling for these scams by handing their keys over to third parties and losing everything. Or, some pirates surrounding the island can discover the hiding places of these keys when they are stored in digital form without adequate protection. Having keys to access, the pirates can take rightful ownership of the land. There is no central control; the transaction cannot be undone. This is one of the reasons why some people are still afraid to venture onto Bitcoin Island.

by miusapictures
by miusapictures

It isn’t the island’s guilt alone, but the current difficulty in manipulating the technology appropriately. However, its infrastructure is improving day by day in order to minimize these types of scams and deceptions. Private firms are working hard to create the easiest mechanisms for the secure of storage of keys, and protection against pirates while keeping the beauty of decentralization. Many people are also working to further abstract this technology and make it much more accessible.

► Ah, but what about the surrounding islands? Could they feel threatened and attack Bitcoin Island? Might they see Bitcoin Island as a strong competitor and fear that their land will be devalued over time?

Well, there are three types of islands around: other fabulous islands, the free islands, and the islands dominated by state gangs.

The fabulous islands (sometimes called alt-island or crypto-island), which emerged just after Bitcoin Island and copied the same technological model, do not have enough monetary power to mount an effective attack. Some fabulous islands were created by scammers who took possession of the original land, without giving a chance for others to explore (pre-mining). Still others just copy Bitcoin Island with no real innovation. A few added some legitimate technological novelty, but because they are more recent than the already recent Bitcoin Island, they fail to attract a minimum number of residents to maintain a minimum security. And if they have no monetary power to attack Bitcoin Island, how can they attack? Some residents of these other fabulous islands, with the hope that their land value will increase, will attack verbally by spreading the greatest possible amount of lies and rumors everywhere. The only weapon at their disposal is telling lies.

Residents of free, but not fabulous, islands (like Gold Island) usually see Bitcoin Island as a great ally. There are few residents of these islands to make verbal attacks. Gold Island would have enough monetary power to disrupt Bitcoin Island, but there never was a real interest in it.

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The greatest threat to Bitcoin Island are extremely rich islands dominated by state gangs, such as Royal Island and Dollar Island. Verbal attacks from lobotomized slaves are common. Their leaders also send spies to watch all the time. Despite the island being immune to the threat of invasion, their land being well protected, as well as the identity of the owners, criminal islands are “investigating” and trying to associate the owners of the Bitcoin land to the residents of the state island. They watch all public transactions and follow negotiations having to do with the land in the state island, which are heavily regulated and monitored. When they get a clue as to who the owners are, they try to link them to victimless “crimes,” ie, violations of the strict laws controlling the gang. They create unjust reasons to confiscate land or even arrest its residents. Thus, residents of the state islands also tend to be afraid of venturing into Bitcoin Island and persecution. Chasing one by one, censoring, scaring and threatening are the most efficient methods with which state islands attack.

State-owned islands can also use your monetary strength to try to affect the decentralized mechanism of Bitcoin Island, but so far they have not bothered enough for this kind of direct attack. If one day some powerful island decides to attack Bitcoin Island that way, it could lead to some rebellion of local residents who own land here; state islands do not want to create problems – their slaves already quite desperate. The leaders of the state islands will often take a neutral or skeptical stance publicly.

► What is the current population of the island?

It is estimated that currently the island has about 1 million residents, and it has grown consistently every day. 21 km² per person on average. Of course, some residents have hundreds, thousands or even millions of km², while others have only a few m². Each managed to land at different times and in different ways, with different investments. Some bought when they were still much cheaper, or explored them when it was still easy, right there in the beginning. Others had the chance to acquire the land at the end of 2013 when there was a “boom” – a race to aquire land on the island; its value per km² reached an incredible 3000 m² of Real Island (R $ 3,000.00). Since this “boom,” lands devalued approx. 75% today! Many people moved to the island in the excitement of the moment without really knowing what it was; some even bought large amounts of land, only to eventually lose interest and then sell the land for a much lower price. All for those reasons that I have explained previously.

► How is your life on the island, and what you want from now on?

Eu na ilha Bitcoin
That’s me on the island.

Life on the island is still a bit simple and lonely, but I intend to live here for the rest of my life. With a density of only 0.05 persons per square kilometer, it gives the impression that the island is still uninhabited. Empty in all directions. Most of my friends and family still live on Real Island. They do not come here, nor do they see much advantage, or do not have the courage to move back here. Much is still not present here, and I have to buy land on Real Island or Dollar Island to then exchange for goods and services. Despite having a real market value, many people even know that the land on Bitcoin Island has some value and therefore do not accept land here for nothing.

And although my land has devalued from 2013 until now, I never even thought about giving up this fabulous island or “donating” my land. Like many other enthusiasts and pioneers, we are here for the ideal of freedom and the twinkle brought to our eyes by this “magic” technology; not only by the market value of the land. These same people who ran the island and left everything behind will come back one day, I’m sure. When we residents build, day by day, more infrastructure, more facilities and more avenues on the island, I’m sure those whose eyes left the island will again shine as before. When people also begin to suffer more from the tyranny of the criminal leaders of state-owned islands, and begin to respond to this daily violence suffered (taxes, extortion, coercion), I’m sure that they will run here. And the residents of the old free islands like Gold Island will also migrate over here little by little, when they do see the beauty and technological advantages here.

If you want to move here some day, you can bet it will be very well received!

Welcome!

Felipe Micaroni Lalli

Related article: http://gendal.me/2014/03/29/welcome-to-bitcoin-island/

A fabulosa ilha Bitcoin

Olá! Meu nome é Felipe, e eu sou um orgulhoso morador da fabulosa, magnífica, misteriosa e recém-descoberta ilha Bitcoin. Sou também proprietário de uma pequena área dessa linda ilha. Fui também um dos primeiros a me mudar pra cá, em 2012, apenas três anos após sua descoberta.
- autor desconhecido
– autor desconhecido

Decidi escrever para responder algumas perguntas que muitos amigos me fazem: onde fica a ilha Bitcoin? Qual é o seu tamanho? Quando ela foi descoberta? Por quem? Por que você comprou terra nessa ilha? Por que não outra ilha, se há tantas? Por que se mudou praí? Vale a pena morar aí? Se eu morar na ilha vou ganhar muito dinheiro? Ou perder? Qual é a relação com a ilha do Lost? Dizem que é uma ilha insegura, que há piratas, que roubam terras! Outros ainda alertam que a ilha é uma farsa, que ela não existe de verdade, que é tudo virtual, tudo imaginação! E também já ouvi falar que ela vai explodir a qualquer momento, e afundar no mar, desaparecendo completamente da noite para o dia. Ou, que não é economicamente viável, ou auto-sustentável. Que as terras não tem valor algum, ou até que não tem utilidade real.

O maior absurdo que já ouvi, eu juro, foi que a ilha seria um grande esquema para enriquecer o fundador e os primeiros moradores, e que ela só se sustentaria se mais e mais pessoas fossem morar nela, indefinidamente, até que, de uma hora para outra, as pessoas notassem a “grande farsa” e vendessem as terras a qualquer preço, causando um caos geral e uma fuga em massa.

Como sou um morador e eterno admirador dessa ilha, vou esclarecer alguns mistérios.

Seja bem vindo à ilha Bitcoin!

► Como é essa ilha?

A ilha ainda é pouco conhecida e pouco explorada. Foi descoberta por Satoshi Nakamoto no início de 2009, um navegante muito habilidoso, mas anônimo e misterioso. Não se sabe ao certo se ele é apenas um indivíduo ou se representa um grupo de visionários. Diz a lenda que ele foi um anti-pirata e seu objetivo de vida sempre foi descobrir uma ilha livre como a ilha Ouro XAU porém muito mais moderna e útil.

Um ar de magia paira na ilha, pois ela possui algumas propriedades realmente incomuns e inéditas. Na verdade, ela é muito tecnológica. É tão tecnológica e moderna que isso facilmente se confunde com magia.

“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta de magia.”
— Arthur C. Clarke

Eu falei da ilha de Lost anteriormente porque ela tem características misteriosas parecidas: a principal diferença é que a ilha de Lost é fictíciavirtual; enquanto a ilha Bitcoin é real, apesar de ser digital. Mas, em comum: sabe-se pouco sobre quem descobriu a ilha, apesar de existir muitas especulações sobre isso. Assim como a ilha livre Ouro XAU, ela não tem um comando central, não tem presidente, rei ou governador, não é dominada por nenhuma gangue, máfia, organização criminosa ou Estado, não pertence a uma única pessoa ou entidade: é um conjunto de fragmentos de pequenas e grandes propriedades.

Além disso, ela tem outras propriedades muito interessantes que vou explicando ao longo do texto.

► Onde fica a ilha Bitcoin?

A ilha não possui uma localização geográfica fixa ou central. Não existe um ponto único no mapa, ela faz parte da dimensão digital, que é difícil de abstrair e entender, mas é como se ela estivesse em diversos pontos espalhados no globo ao mesmo tempo. Pra ser mais exato, atualmente (maio/2015) ela está localizada em aproximadamente 6 mil pontos espalhados ao longo do globo terrestre. E ela se move! Ela sai de um lugar e entra em outro, o tempo todo e de uma forma muito rápida. Cada ponto desse contém toda a ilha.

É difícil de entender, mas a ilha inteira está localizada em vários lugares ao mesmo tempo, e se movendo. Essa é uma das tantas propriedades que fazem a ilha ser tão especial.

Segue uma fotografia em formato de “mapa de calor” (heatmap) mostrando onde ela se encontra neste exato momento (22 de maio de 2015 às 03:37 BRT) no globo terrestre:

localização da ilha Bitcoin em maio/2015
localização da ilha Bitcoin em maio/2015

► Qual é o tamanho da ilha Bitcoin?

Ela possui 21 milhões de km² (4,11% da superfície terrestre, ou 21 trilhões de m² – bits), sendo que apenas 14 milhões de km² foram explorados até o momento (aprox. 66%). As áreas inexploradas são de difícil acesso e ninguém ainda conseguiu chegar até elas. Da área explorada, algumas partes são bem movimentadas, trocando de donos o tempo todo, e outras partes foram reservadas e permanecem intactas.

► É possível saber quem é o dono de cada área?

Essa é outra característica interessante da ilha: por não possuir um controle central, todo registro de propriedade é feito em sua engrenagem descentralizada de forma anônima.

Uma diferença notável para outras ilhas livres como a ilha Ouro XAU é que nas ilhas antigas esse registro da propriedade era feito de forma bruta, através da força física. Já a ilha Bitcoin possui escudos de plasma que protegem de forma sólida cada pedacinho de propriedade, não permitindo por padrão que pessoas não autorizadas consigam entrar.

by Itachou
by Itachou

Sobre as áreas bem reservadas que permanecem intactas, não é possível saber se os donos morreram, simplesmente perderam o acesso a ela, ou se eles as guardam para usá-las como “casa de veraneio”. O acesso do dono é feito com uma chave especial, chamada de “chave privada”. Essa chave privada nada mais é que um código, e pode ser qualquer coisa: pode ser um grande número, palavras ou frases. Isso é tudo que o dono precisa guardar com cuidado, e ele pode armazenar isso na cabeça, num pedaço de papel ou em forma digital criptografada.

- autor desconhecido
– autor desconhecido

Sobre as áreas mais movimentadas, também não é possível identificar quem são os donos, mas é possível de fora observar que donos antigos estão se mudando e novos donos estão assumindo.

Toda área reservada possui um endereço público, uma espécie de código de identificação, algo parecido com isto: 1LipeR1AjHL6gwE7WQECW4a2H4tuqm768N e o dono não é conhecido por padrão, a não ser que tenha uma placa com seu nome na frente ou que ele tenha divulgado isso em algum momento.

Nesse exemplo acima, esse código é de uma área que me pertence e o dono é conhecido publicamente, pois eu mesmo divulguei. Mas a tradição da ilha é que o dono de uma área seja desconhecido.

De qualquer forma, outra característica muito importante é que, apesar de eu ter declarado que sou dono desse endereço aí acima, nenhuma outra pessoa além de mim consegue provar de forma definitiva que eu ainda possuo acesso a esse endereço. No máximo podem levantar suspeitas sobre os verdadeiros donos, mas ainda assim é bem complicado.

Somente o dono é que consegue, através de uma assinatura, provar que ele possui acesso àquela área em um determinado momento. É assim que ele consegue transferir sua propriedade para outro possível interessado após uma negociação. Mas nada garante também que ele não tenha perdido o acesso logo em seguida. Imagine que a chave privada, aquele código secreto que dá acesso ao dono, esteja guardada num papel. E que esse papel pegue fogo. Nesse caso o dono não tem mais acesso ao local reservado e ninguém consegue provar o contrário. Essa característica permite uma proteção extra contra piratas ou governos centrais que tentam extorquir a vítima para roubar ou confiscar suas terras.

Um exemplo de prova que eu possuo neste exato momento o acesso ao endereço 1LipeR1AjHL6gwE7WQECW4a2H4tuqm768N é que eu posso assinar o hash do bloco de altura 357652 que é 000000000000000003bee311c38ead2b8b6b9d5465f5612e95dce5193a0a50d1 resultando em: HMcYZN5mfF2kR7tn1J8llv3KmJOPuf/kDrm+tqPPH5MzHcDkuey6LHQCyqDRGLE2biS+syNr5Ds82juz9abPyZk=

Qualquer pessoa, mesmo que não seja moradora da ilha, consegue verificar matematicamente através dessa assinatura digital que eu ainda possuo acesso a esse endereço por pelo menos até agora, dia 23 de maio de 2015 às 00:51 BRT.

► Como novas áreas são descobertas ou exploradas?

Como atualmente (maio/2015) ainda há cerca de 44% de área inexplorada, ou aprox. 7 milhões de km², a ilha atrai a atenção de cada vez mais exploradores, caçadores de recompensa, que fazem buscas incansáveis por novas terras, sete dias por semana, 24h por dia.

Estima-se de forma bastante precisa que a ilha será totalmente explorada no ano de 2140. Mas em 2030 já terá sido descoberto 99% e em 2040 cerca de 99,8%.

by ivany86
by ivany86

Esses exploradores enfrentam perigos e muita dificuldade para desbravar essas novas terras, por isso atualmente somente profissionais muito capacitados e com muito investimento conseguem encontrar alguma coisa. Ao encontrá-las, alguns tomam posse e se mudam pra lá. Outros loteiam a área e repassam os pedaços para outros donos, como um antigo ou novo morador da ilha, por exemplo. Em troca da terra recém-descoberta, esses exploradores pedem alguma outra terra em outra ilha de sua preferência ou mesmo trocam por outros bens e serviços em geral.

Alguns exploradores sequer estão de fato interessados em morar na ilha Bitcoin, eles estão apenas interessados na recompensa, mas preferem a segurança e estabilidade de uma ilha mais antiga, como a ilha livre Ouro XAU, ou uma ilha comandada por uma organização criminosa, como a ilha Real, gerida pela máfia Vilma & corruptos ou a ilha Doleta, comandada pela máfia Ocama & aliados.

previsão de exploração da ilha em milhões de km² ao longo dos anos
previsão de exploração da ilha em milhões de km² ao longo dos anos

► Quem faz a segurança da ilha?

Esses exploradores são muitas vezes chamados de “mineradores”, uma referência aos exploradores de minérios. Eles são muito importantes para a ilha porque também fazem a segurança dela. Por se moverem rapidamente pela ilha em busca de novas terras, eles acabam afastando os piratas e ladrões. Eles também levam combustível (grandes baterias carregadas) para a engrenagem descentralizada da ilha, garantindo que a tecnologia intrínseca continue funcionando lindamente.

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Mas, e quando não existir mais terras a serem exploradas? Como será feita a segurança da ilha? Qual será o incentivo desses “seguranças” quando as terras se esgotarem? — Apesar de não existir um governo central, existe uma taxa colaborativa opcional que a maioria dos moradores da ilha contribuem para manter sua segurança intacta. Essa taxa é distribuída entre todos os exploradores. Toda vez que uma área de terra muda de dono, o dono anterior pode separar uma pequena (insignificante) sub-área para distribuir a todos os exploradores. Como uma pequena – porém suficiente – parte da ilha é bastante movimentada e troca de donos o tempo todo, as pequenas taxas opcionais somadas se tornam significantes e alimentam os exploradores, que também fazem a segurança da ilha.

► Quando a ilha foi descoberta?

Um mapa foi divulgado abertamente em novembro de 2008 com todas as instruções tecnológicas para a sua construção. É isso mesmo: a ilha não existia na natureza até então. Pra ser mais preciso, esse tipo de ilha, ilhas fabulosas com “poderes especiais”, simplesmente não existiam de nenhuma forma! Nenhuma delas. Apesar do mapa já estar divulgado, só em 2009 é que foi encontrada e construída a primeira ilha fabulosa, batizada então de a fabulosa ilha Bitcoin.

- the map
– the map

Foi Satoshi Nakamoto que descobriu como se chegar até ela e a construir sua engrenagem tecnológica, que tem se mostrado até então bastante eficiente, prática e com características incríveis que atraem muitos novos moradores o tempo todo.

Antes de 2009 não existia nenhuma ilha fabulosa. Apenas ilhas comuns e ultrapassadas, como a ilha livre Ouro XAU, ou ilhas dominadas por criminosos como as ilha Real e a ilha Doleta já citadas anteriormente.

► E quanto vale hoje o m² da ilha? E a ilha toda?

Não é possível determinar um valor exato porque as terras são negociadas num mercado livre 24/7 no mundo todo, em diversas exchanges que trocam áreas da ilha Bitcoin por áreas em outras ilhas, tudo de forma descentralizada. E, apesar da ilha Bitcoin ser visivelmente superior a qualquer outra ilha, a verdade é que as outras ilhas ainda são muito mais valorizadas.

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Pra você ter uma ideia, nesse exato momento, dia 23 de maio de 2015, 1 km² (1 BTC) ou 1 milhão de m² (1M bit) da ilha Bitcoin podem ser trocados por aprox. 760 m² da ilha Real (R$ 760,00), 240 m² da ilha Doleta (US$ 240,00) ou 6 mil m² da ilha Ouro XAU (6g). E para comparar o tamanho das ilhas, enquanto a ilha Bitcoin possui 21 milhões de km² (21M BTC), a ilha Real tem 3 milhões de km² (3T R$), a ilha Doleta 60 milhões de km² (60T US$) e a ilha Ouro XAU 1,5 milhão de km² (1,5M kg). — uma outra conta: hoje 1 m² da ilha Bitcoin vale aprox. 7,6 cm² (R$ 0,00076) da ilha Real.

Para facilitar a comparação – de forma bastante aproximada – hoje, 1% da ilha Bitcoin pode ser trocado por apenas 0,003520% da ilha Real, 0,000057% da ilha Doleta ou 0,000486% da ilha Ouro XAU. Teoricamente, toda a ilha Bitcoin hoje vale aprox. 0,3% da ilha Real, 0,0057% da ilha Doleta e 0,0486% da ilha Ouro XAU. Eu disse “teoricamente” porque nem toda a terra da ilha Bitcoin está a venda e nem todos os donos estão dispostos a vender ela pelo preço atual de mercado. Portanto, é muito provável que se alguém tentar comprar a ilha toda, o preço de mercado dispare a um valor exorbitante comparado ao atual e ninguém consiga de fato comprar todas as terras.

Esse valor baixo da terra frente a outras ilhas acontece hoje principalmente por dois motivos: 1) a ilha Bitcoin é extremamente nova, mata virgem, sem infra-estrutura nenhuma, portanto as pessoas em geral ainda não tem a confiança necessária para comprar terras ou se mudar de vez. Sem contar dos perigos inerentes de uma terra pouco explorada. Como foi descoberta apenas em 2009, e além de tudo possui uma tecnologia jamais vista anteriormente, é normal que desconfiem. Como dito na introdução, ainda muitos desinformados ou desonestos espalham mentiras sobre a ilha, criando lendas, mitos e dizendo que sua “magia” tecnológica é na verdade uma grande maldição. 2) suas terras ainda valem muito pouco. —  esse segundo fato é um problema do tipo “ovo galinha”. Pouca gente se arrisca a comprar terras porque seu valor de mercado ainda flutua consideravelmente. E o valor flutua assim porque poucas pessoas se arriscam a comprar e se manterem donas das terras por muito tempo.

valor do km² da ilha Bitcoin por m² da ilha Doleta (log)
valor do km² da ilha Bitcoin por m² da ilha Doleta (log)

Menos pessoas ainda se arriscam a se mudar para a ilha como eu fiz. Dessa forma, a ilha permanece ainda com pouca infra-estrutura, ou seja, sua tecnologia avançada ainda a torna difícil para pessoas comuns, fazendo com que ela seja atraída apenas por geeks em geral. Sua população atual é composta basicamente por desbravadores, nerds, tecnólogos e idealistas corajosos que procuram uma terra livre e futurista.

► Quando começaram a se mudar para a ilha e quem mora nela atualmente?

O primeiro morador da ilha, claro, foi Satoshi Nakamoto. Estima-se que ele seja dono de cerca de 1 milhão de km², desbravados por ele mesmo logo que se mudou pra cá, durante 2009 e 2010. As primeiras terras eram muito fáceis de serem exploradas. A dificuldade baixa atraiu outros curiosos já em 2010. Pessoas que se arriscaram a explorar a ilha também sem saber se iam receber alguma coisa em troca, ou se a ilha tinha mesmo algo de especial. Até meados de 2011, cerca de 28% das terras já haviam sido descobertas por verdadeiros corajosos, pioneiros e vanguardistas. Outras pessoas que chegaram nessa época conseguiram comprar grande quantidade de terra por preços realmente muito baixos. No início de 2011 apenas 1 m² da ilha Doleta podiam comprar 3 km² da ilha Bitcoin.

O mercado ainda subestimava – mais até do que hoje – o real potencial da ilha. Alguns donos originais, cansados de morar numa ilha pouco habitada, se desfizeram de milhares de kilômetros quadrados de terras por preços ridiculamente baratos. Alguns até doaram centenas de km², e num caso que acabou ficando famoso, há exatamente 5 anos atrás, um proprietário acabou trocando 10 mil km² de terra por uma pizza, no dia 22 de maio de 2010. Hoje 10 mil km² da ilha Bitcoin podem ser trocados por aprox. 214 mil pizzas.

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► O que essa ilha tem de bom? Por que é bom morar aí? Quais são as vantagens e desvantagens em relação a outras ilhas?

É realmente muito bom morar na ilha Bitcoin, eu estou pessoalmente muito satisfeito, morando aqui desde 2012. Tenho também uma terrinha na ilha Real porque minha família toda e amigos moram lá, mas passo a maior parte do tempo aqui. Alguns amigos também tem algumas terras por aqui, mas poucos se aventuram em se mudar de vez.

Além de ter uma beleza incomparável e diversas características interessantes e “mágicas”, a ilha não pode – por sua natureza intrínseca – ser controlada por organizações de moral duvidosa como gangues estatais, piratas ou golpistas em geral. Liberdade e modernidade tecnológica são as duas principais motivações e razões para possuir terras aqui ou morar na ilha.

Mesmo sem governo ou controle central, as proteções de plasma, a segurança dos exploradores e a energia das engrenagens descentralizadas garantem de forma bem robusta o direito de propriedade de um indivíduo ou autorizados a um determinado pedaço de terra.

Pra exemplificar bem a vantagem de morar numa ilha livre, em 2014 foram confiscados 1,8 milhões de km² de terra na ilha Real. Além disso, essas ilhas estatais conseguem criar “papéis falsos”, ou seja, imprimem “vale terra” que na verdade não tem a terra verdadeira correspondente, inundado o mercado de “terras” que não podem ser trocadas por terras reais. Esse processo é chamado de “inflação”, e não ocorre na ilha Bitcoin porque as terras são de fato dos donos garantidos pela tecnologia da ilha e não por papéis falsos.

É verdade que ilhas livres como a Ouro XAU, além de também serem fisicamente muito bonitas, também tem quase todas as vantagens de liberdade da ilha Bitcoin e são muito mais tradicionais (tem milhares de anos de confiança). Não é a toa que as terras na ilha Ouro por exemplo valem cerca de 2056 vezes mais que as terras da ilha Bitcoin. Mas a ilha Bitcoin tem duas vantagens principais: 1) uma vantagem do momento, porém válida: ela ainda é muito subvalorizada, ou seja, muito barata e com um potencial enorme de valorização. 2) ela é muito mais moderna e tem propriedades muito mais interessantes que a ilha Ouro XAU, parecendo até uma “ilha mágica” se comparada lado a lado.

► Mas… Então a ilha está livre de piratas e golpistas?

Infelizmente, apesar de ter uma estrutura de segurança bastante sólida, a ilha Bitcoin não está livre de ataques externos. Um golpista pode, por exemplo, convencer alguém de entregar sua chave privada para que ele faça suas terras “multiplicarem”. Ou ainda simplesmente pedem para que o dono entregue a chave para que este guarde-a de forma “segura”. Por incrível que pareça, por puro desconhecimento, muita gente acaba caindo nesses golpes, entregando suas chaves a terceiros e perdendo tudo. Ou ainda, alguns piratas que rodeiam a ilha conseguem descobrir os esconderijos dessas chaves, quando elas são guardadas em forma digital sem a proteção adequada. Tendo acesso às chaves os piratas conseguem tomar a posse legítima da terra e não há controle central para que o dono original reclame ou desfaça a transação. Esse é um dos motivos pelos quais algumas pessoas ainda tem medo de se aventurarem na ilha Bitcoin.

by miusapictures
by miusapictures

Não é culpa da ilha em si, mas sim da dificuldade atual em se manipular a tecnologia de forma adequada. Porém, sua infra-estrutura está melhorando dia a dia, para minimizar esses tipos de golpes e enganos. Livres iniciativas estão trabalhando duro para criar mecanismos mais fáceis e seguros de armazenamento das chaves e proteção contra piratas, mantendo a beleza da descentralização. Muita gente também está trabalhando para abstrair cada vez mais essa tecnologia e deixar tudo muito mais acessível.

►Ah, mas e as ilhas ao redor? Não podem se sentir ameaçadas e atacarem a ilha Bitcoin? Não podem ver a ilha Bitcoin como uma forte concorrente e temer que suas terras se desvalorizem com o tempo frente às terras da ilha Bitcoin? Já que a melhor defesa é o ataque?

Bem, há três tipos de ilhas ao redor: outras ilhas fabulosas; as ilhas livres; e as ilhas dominadas por gangues estatais.

As ilhas fabulosas (as vezes chamadas de alt-ilhas ou crypto-ilhas), que surgiram apenas depois da ilha Bitcoin e copiam o mesmo modelo tecnológico, não tem poder monetário algum para um ataque efetivo. Algumas ilhas fabulosas foram criadas por verdadeiros golpistas que tomaram posse das terras originais, sem dar a menor chance para que outros a explorassem (pré-mineração). Outras ainda, apenas copiam a ilha Bitcoin sem nenhuma inovação real. Algumas poucas acrescentaram alguma novidade tecnológica legítima, mas por serem ainda mais recente que a já recente ilha Bitcoin não conseguem atrair um número mínimo de moradores para manter uma segurança mínima. E, se elas não tem poder monetário pra atacar a ilha Bitcoin, como elas atacam? Alguns moradores dessas outras ilhas fabulosas, com a esperança que suas terras se valorizem, atacam verbalmente espalhando a maior quantidade possível de mentiras e boatos por todos os lados. A única arma possível deles é a mentira.

Moradores de ilhas livres porém não fabulosas, como a ilha Ouro XAU, geralmente enxergam a ilha Bitcoin como uma grande aliada. São poucos os moradores de ilhas assim que fazem ataques verbais. A ilha Ouro XAU teria poder monetário suficiente para atrapalhar bastante a ilha Bitcoin, porém nunca existiu um real interesse nisso.

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A maior ameaça à ilha Bitcoin são as ilhas riquíssimas dominadas por gangues estatais, como a ilha Real e a ilha Doleta. O ataque verbal de escravos lobotomizados são frequentes. Seus líderes também enviam espiões o tempo todo para vigiar. Apesar da ilha estar imune à invasão de fato e suas terras estarem bem protegidas, assim como a identidade dos donos, as ilhas criminosas ficam “investigando” e tentando associar os donos das terras aos moradores da ilha estatal, observando todas as transações públicas e seguindo as negociações com as terras na ilha estatal, que são fortemente regulamentadas e vigiadas. Quando conseguem ter alguma pista dos donos, tentam ligá-los a “crimes” sem vítimas, i.e., violações às leis rígidas da gangue controladora, criando motivos injustos para confiscar suas terras ou mesmo prender seus moradores. Dessa forma, moradores das ilhas estatais costumam também ficar com medo de se aventurarem na ilha Bitcoin e serem perseguidos. Perseguindo um a um, censurando, assustando e ameaçando é a forma mais eficiente que as ilhas estatais tem para atacar.

As ilhas estatais também podem usar sua força monetária para tentar afetar as engrenagens descentralizadas da ilha Bitcoin, porém até o momento a ilha não incomodou o bastante para esse tipo de ataque direto. Se um dia alguma ilha poderosa resolver atacar a ilha Bitcoin dessa forma, isso poderá gerar uma certa rebeldia dos moradores locais que possuem terra aqui, e as ilhas estatais não querem criar problemas com seus escravos já bem destrados. Por isso os líderes das ilhas estatais costumam fingir ainda uma posição neutra / cética publicamente.

► Qual é a população atual da ilha?

Estima-se que atualmente a ilha tenha cerca de 1 milhão de moradores, e isso vem crescendo de forma consistente dia a dia. 21 km² por pessoa em média. É claro que alguns moradores possuem centenas, milhares ou até milhões de km², enquanto outros possuem apenas alguns m². Cada um conseguiu as terras em momentos e de formas distintas, com investimentos diferentes. Uns compraram quando elas eram ainda muito mais baratas, ou exploraram elas quando ainda era fácil, bem lá no começo. Outros tiveram o azar de adquirirem a terra no fim de 2013 quando ocorreu um “boom”, uma verdadeira corrida às terras da ilha e seu valor por km² chegou a incríveis 3 mil m² da ilha Real (R$ 3.000,00). Desde esse “boom” as terras desvalorizaram aprox. 75% até hoje! Muita gente que se mudou para a ilha na empolgação do momento, sem saber muito bem do que se tratava, ou mesmo comprou grande quantidade de terra, acabou se desinteressando depois e vendendo as terras por um preço bem menor. Tudo por aqueles motivos que eu já expliquei anteriormente.

► Como é a sua vida na ilha, e o que pretende daqui pra frente?

Eu na ilha Bitcoin
Eu na ilha Bitcoin

A vida na ilha é ainda um pouco simples e solitária, mas pretendo morar aqui pro resto de minha vida. Com densidade de apenas 0,05 pessoas por km², dá impressão que a ilha ainda é inabitada. Só tem mato para todo lado. A maioria dos meus amigos e familiares ainda moram na ilha Real e ainda não conhecem aqui, ou não veem muita vantagem e/ou não tem a coragem suficiente para se mudarem pra cá. Muita coisa ainda não se acha aqui, e aí sou obrigado a comprar terras na ilha Real ou na ilha Doleta para então trocar por bens e serviços. Apesar de ter um valor real de mercado, muita gente sequer sabe que as terras da ilha Bitcoin tem algum valor e por isso não aceitam terras daqui em troca de nada.

E, apesar de ver minhas terras se desvalorizarem tanto de 2013 pra cá, eu nunca sequer pensei em desistir dessa fabulosa ilha ou “doar” minhas terras, porque assim como muitos outros entusiastas e desbravadores, estamos aqui por ideal de liberdade e pelo brilho nos olhos dessa “magia” tecnológica, não só pelo valor de mercado da terra. Essas mesmas pessoas que saíram correndo da ilha e deixaram tudo pra trás um dia voltarão, eu tenho certeza. Quando nós moradores construirmos, dia a dia, mais infra-estrutura, mais facilidades, e mais vias de acesso à ilha, tenho certeza que os olhos de quem deixou a ilha voltarão a brilhar como nunca. Quando as pessoas também começarem a sofrer mais com a tirania dos líderes criminosos das ilhas estatais, e começarem a reagir a essa violência diária sofrida (impostos / extorsão / coerção), tenho certeza que correrão para cá. E os moradores das velhas ilhas livres como a ilha Ouro XAU também migrarão pra cá pouco a pouco quando conseguirem ver as belezas e vantagens tecnológicas daqui.

Se pretender um dia se mudar pra cá, pode ter certeza que será muito bem recebido!

Seja bem vindo!

Felipe Micaroni Lalli

BTCJam e genéricos: não use

BTCJam, BitLendingClub, Bitbond e outros empréstimos P2P: não use.

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By Lars Christensen

Resumo da ópera (TL;DR): são um celeiro de golpistas [1], ignoram seus usuários, são mal administrados, e talvez o mais importante: tem um sistema de reputação e de score que são uma piada. Ou melhor pior, ignoram sistemas de reputação sérios no mundo Bitcoin [2] como o tradicional OTC WoT ou sua alternativa, o Bitcoin Assets Bot (assbot).

Começo da ilusão

BTCJam foi um dos primeiros serviços de bitcoin que eu conheci, lançado no final de 2012. A uma primeira vista, eu achei a ideia incrível: o usuário poder definir suas próprias taxas; pessoas comuns tendo a oportunidade de pegar um juros abaixo do praticado no mercado; e ainda uma oportunidade para investir os bitcoins parados. O serviço ganhou ainda mais meu respeito quando descobri que foi criado por um brasileiro no segundo nível da minha “rede de confiança da vida real”, ou seja, um amigo de infância de um ex-colega de trabalho e também amigo.

Apesar da empolgação, minha primeira experiência (lista #123) no BTCJam foi péssima. Já levei um calote logo de cara de um suposto doente psiquiátrico (provavelmente um mero golpista) e aí já veio minha primeira decepção: o suporte do serviço foi zero. Não me ajudaram em absolutamente nada. Se me lembro bem, nem responderam meus emails na época, ou se responderam disseram que não poderiam ajudar. O BTCJam não passou nenhuma informação do caloteiro e ainda não acionou o tribunal privado como eu esperava que iria acontecer, já que isso era anunciado no site.

Lembro que depois disso, parei de usar por um bom tempo. Por causa dessa decepção e também porque naquela época ainda não era possível atrelar o empréstimo a alguma outra moeda mais estável, como o dólar. E eu não via muito sentido em empréstimos puramente em bitcoin, que poderiam arruinar a vida do emprestador e também do tomador, dependendo da volatidade no período.

Sistema de reputação e score

Durante esse tempo sem investir, ou investindo bem pouco, achei que pudesse ser útil trabalhar minha reputação no site. Queria que meu score chegasse a A+. Sempre achei que não merecia menos. Eu achei que ia começar importando minha reputação do OTC WoT e já ia começar bem. Mas para minha surpresa, e minha segunda grande decepção, a integração que eles ofereciam com o OTC era muito pobre (e ainda é). A conta era apenas conectada ao OTC, mas a rede de confiança totalmente ignorada, e não ajudou em nada meu score.

Eu imaginava uma integração na raiz. O BTCJam poderia ser totalmente baseado em OTC, e mais nada. Quem ainda não usasse OTC, o BTCJam poderia gerar um par de chaves PGP (mesmo que escondido do usuário) e usar isso para qualificar os usuários em cima do próprio OTC. Creio que toda infra-estrutura poderia ser aproveitada. O usuário ainda poderia futuramente fazer download do par de chaves e pedir a “independência”, i.e., criar um novo par e desabilitar o anterior gerado automaticamente pelo BTCJam.

Na verdade, hoje eu tenho minhas dúvidas se isso realmente seria uma boa ideia: o mal uso / abuso do OTC poderia “sujar” o sistema. Se os critérios da nota extremamente conservadores [3] do OTC fossem mal empregados, por exemplo, ou ainda as chaves privadas dos usuários vazadas, isso poderia ser bem chato. Mas por outro lado, acredito que o OTC por si só iria dar um jeito: é sempre possível cometer abusos de qualquer maneira, e as pessoas que cometem abusos são punidas pelas pessoas mais sérias e com melhor reputação. O grande segredo está na árvore que se forma: alguém pode ter muitos pontos positivos, mas se tiver pontos negativos de pessoas que você confia, já seria uma importante red flag.

Diante da dura realidade, comecei a construir minha reputação no sistema do zero: enviei todos os meus documentos pessoais exigidos pelo site (muito a contra-gosto aliás, pois se esses documentos forem vazados, muita informação sigilosa se tornaria pública) e associei tudo que era possível: OTC (34 pontos), ebay (6 anos), paypal (11 anos), Facebook (743 conexões), bitcointalk (ago/2012), celular etc. [4] Consegui um score de A- e isso foi impossível melhorar.

Depois de um tempo, eles finalmente implementaram algo semelhante a uma rede WoT: agora era possível criar depoimentos sobre alguém. Dessa forma a vida do investidor ficou um pouco mais fácil: navegando um pouco nesses depoimentos era possível pescar algumas pistas e detectar algumas red flags. Se alguém tivesse referências de caloteiros, por exemplo, era um importante sinal de que algo não cheirava bem. Ainda assim, esse sistema tinha muitas falhas: é necessário pedir um depoimento, depoimentos espontâneos não são possíveis e os depoimentos aconteciam apenas entre amigos do Facebook.

Minha experiência como investidor

Como eu ainda acreditava muito nesse tipo de serviço, e como eles permitiram atrelar um pedido ao dólar, além de outras melhorias como o sistema de depoimentos, eu voltei a investir um pouco. Não investi rios de dinheiro, mas investi um pouco. Por causa do meu primeiro calote, já fiquei bem mais esperto: no meu primeiro investimento já pedi para o tomador me enviar uma carta com uma arte dele (ele era artista), e ele me enviou. Dessa forma pelo menos eu já tinha seu nome verdadeiro e o seu endereço. Comecei a tomar outros cuidados: apesar do sistema não ajudar muito, com um pouco de esforço era possível perceber algumas red flags, como por exemplo: build reputation, explicações esdrúxulas e nem um pouco verossímil, dados falsos, pouca referência etc.

Eu estava tão iludido (leia-se: torcendo verdadeiramente e cegamente para que o serviço decolasse) que não me dei conta do quão difícil era encontrar bons investimentos. E ainda não notei que meu saldo não era tão bom quanto eu imaginava. Ao menor sinal de calote, eu já vendia minha dívida, mesmo perdendo um pouco. Ganhava um pouco, e perdia muito. Meu saldo final, depois de muito trabalho e tempo, foi APR de -13.27% aos investimentos atrelados ao dólar e +6,44% em bitcoin. E ainda me considerava com sorte, porque vinha melhorando minhas escolhas!

Como investidor também reforçou ainda mais minha impressão de quão risível era o sistema de reputação deles. Só não era pior que o sistema de score. Pessoas com score A+ fazendo ponzi descaradamente, com A, A- fazendo pedidos de reputation build, vários golpistas com bom score, contas falsas, depoimentos falsos etc. Pessoas com big red flags recebendo vários “10” de nota, enfim, um lixo. E o meu score, que deveria ser A+++ fucking +, ainda travado em A-.

Minha experiência como tomador

Em duas oportunidades pude usar o sistema como tomador: em junho de 2013 onde peguei 6 bitcoins com juros de 3% ao mês (ainda não era possível atrelar ao dólar) [5] e depois em março de 2015, onde peguei 2 bitcoins (atrelados ao dólar) com taxa de 2,8% ao mês [6].

Na primeira oportunidade, eu precisei do dinheiro porque fiz uns gastos contando com um dinheiro que demorou um pouco mais pra entrar do que o previsto. Por que peguei a 1a vez mesmo não tendo ainda a possibilidade de atrelar ao dólar e correr o risco da oscilação? Porque eu tinha bitcoins de reserva. E por que eu não uso simplesmente meus bitcoins? Por dois motivos básicos: minha cold wallet é realmente cold [7] e também porque realmente queria testar a plataforma! Ainda estava muito iludido, e queria ver se era possível pegar dinheiro com um juros menor que o que o meu banco oferecia na época (4,5% / mês). Consegui que o pedido fosse completado muito rapidamente, e ainda por um desconhecido (nessa época ainda poucos brasileiros utilizavam o sistema)! Isso me surpreendeu. Como recebi o dinheiro muito antes do que minha segunda previsão, e também porque não estava afim de correr o risco de perder meus bitcoins reserva, paguei a dívida muito antecipadamente. Meu score continuou A- depois do repagamento.

Na segunda oportunidade, testei com a taxa mínima recomendada pelo site: 2,8%, porém agora atrelado ao dólar. E também foi completado muito rápido. Nessa segunda vez, meu maior investidor foi um brasileiro, velho conhecido no meu círculo voluntarista. Essa segunda vez eu peguei porque fiz uns gastos não planejados de final de ano, como uma viagem a um evento de Bitcoin, e porque também estou investindo pesado em minha empresa. Eu teria como conseguir esse dinheiro de outra forma? Sim, de muitas outras formas, inclusive vendendo assets ou meus próprios bitcoins. Mas algumas coisas pareciam muita vantagem: 1. ser em bitcoin, que sou fã. 2. ser um serviço que até então eu era fã. 3. a facilidade e rapidez de se pegar. 4. a taxa bem mais barata que de bancos. 5. a forma passiva de pedir. Sobre esse último item, o 5, vale a pena explicar: apesar de no final das contas ter sido um amigo que me emprestou, eu não tive que pedir diretamente pra ele, fazendo um “spam” no meu círculo de amigos. Eu simplesmente publiquei e investiu quem quis, e isso é muito interessante. Odeio fazer spam, ainda mais pedindo dinheiro e ainda para os meus amigos! Eu publiquei no BTCJam e minha lista ficou entre uma das primeiras da lista, e foi logo preenchida. Esse amigo meu puxou o maior investimento, e várias pessoas que confiavam nele o seguiram.

Apesar de parecer ter sido boas as minhas experiências como tomador, minha terceira, última e grande decepção veio logo após o término do pagamento, que também foi adiantado. E isso explico mais abaixo.

Minha  experiência como fã

Como sempre fui fã do sistema desde o começo, talvez um pouco influenciado também por aquela coincidência de ter sido criado por um amigo de um amigo meu, comecei a dar muito feedback. Eu achava que por ter sido um dos primeiros usuários e um dos mais empolgados, eu seria ouvido em algum momento. Mas a verdade é que apesar de ter dado boas ideias, fui completamente ignorado [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] (sobre OTC) além de inúmeros outros emails. Eu era tão fã que tinha até vontade de trabalhar para o BTCJam lá no início (em 2013), quando ainda não tinha minha própria empresa.

Vale lembrar que esse descaso me fez testar outros serviços como o BitLendingClub por exemplo. Mas logo desanimei: também não conseguiria usar minha reputação universal do OTC e teria que enviar todos os meus documentos novamente. Além de começar uma reputação do zero. Também enviei alguns emails pra eles que foram ignorados. Prometi a mim mesmo que jamais voltaria a usá-los (apesar de posteriormente ter me desobedecido, explico mais adiante).

Começo da desilusão total

No dia 20 de março de 2015 tive um dos piores dias da minha vida. Eu sei que parece exagero, mas é que depois de tanto tempo acreditando, forçando a barra pra querer que dê certo, ignorando tanta coisa ruim, eu recebi a notícia que eles simplesmente desativaram o carro-chefe deles. Aquele slogan “escolha sua própria taxa” tinha ido pelo ralo. Todo um sonho jogado fora. Uma das poucas boas features que eles tinham: deixar que o mercado escolhesse a taxa, eles haviam desativado:

Quando eu li a primeira vez eu não acreditei. Li e reli, e a postagem deles não era tão clara sobre o fato de que iriam simplesmente escolher arbitrariamente uma taxa e travar nisso. Eu achei que eles iriam sugerir uma taxa. Eles já faziam isso, por isso achei estranho. Entrei correndo no BTCJam, fui na tela de um novo pedido de empréstimo e constatei: realmente eles haviam capado o Jam. Cortado as bolas fora. Simplesmente não podia acreditar que eles travaram a taxa e… HAHAHAHAHAHAHAHHAAH COF HAHAH usando o sistema deles de score que é uma piada!

Esse dia foi um dia de reclamações infrutíferas. Alguns usuários revoltados e outros nem tanto talvez por não perceberem o impacto dessa merda. Um representante do BTCJam, líder de produto, o Gustavo Guida Reis, defendia a posição da empresa com unhas e dentes, e dizia que muito provavelmente não iriam voltar atrás com essa decisão, e que era uma decisão para diminuir a taxa de inadimplência. Dane-se: você não pode tentar diminuir a taxa de inadimplência removendo a melhor (e única?) feature boa.

Definir uma taxa arbitrariamente é tão bizarro quanto definir uma taxa arbitrariamente. O impacto disso é negativo para o investidor e para o tomador.

Para o tomador o prejuízo é óbvio: para aqueles com a reputação já prejudicada, tinham a chance de se recuperar jogando um juros mais alto. E podiam ainda ter uma segunda chance. Investidores que quisessem comprar o risco, poderiam ter retornos incríveis. Havia ainda uma certa disputa entre os “queimados”, fazendo com que a taxa fosse perfeitamente ajustada pelo mercado. O livre mercado é lindo! Números que levaram meses para serem lapidados num livre mercado agora foram usurpados e “travados” por um algoritmo imbecil.

As variáveis são tantas e tão subjetivas que é impossível que um algoritmo calcule a taxa exata. O BTCJam é mundial, e as taxas de juros mudam muito no mundo inteiro. Os círculos de confiança dentro do BTCJam são diversos, muitas vezes não se encontram. Como definir a melhor taxa para a pessoa do país X? Ou do círculo Y? Como definir essa taxa se a própria taxa dos países mudam com o tempo, o mercado muda, as pessoas mudam? Como definir essa taxa levando em conta que uma pessoa tem uma informação privilegiada sobre alguém, tanto positiva como negativa? Esse cálculo pode ser razoável agora, mas logo vai se tornar obsoleto.

No meu caso específico, em que meu próximo empréstimo eu iria arriscar 2%, a taxa travou em 3,5%. Essa taxa é quase igual ao que meu banco oferece, com a desvantagem de ser um pedido público e ainda ter que pagar a taxa do BTCJam + taxas de exchanges (que no Brasil são caras).

Ainda, meu score caiu de A- para B+. Mesmo tendo feito um pedido 2 anos de distância do primeiro, mesmo tendo pago os dois adiantados, mesmo tendo uma WoT sólida, dentro e fora do BTCJam, mesmo tendo contas associadas de 11 anos, mesmo tendo enviado todos os meus dados pessoais, de usar meu nome e fotos verdadeiros (por incrível que pareça coisa rara no BTCJam), nada disso sensibilizou o score deles.

Para o investidor o efeito é velado e tardio, mas pior ainda: fortes emoções com investimentos arriscados? Fim da brincadeira! Investir em alguém mais seguro? Em quem? Se as poucas pessoas honestas que sobraram também foram prejudicadas e fugiram? Investir em fakes / socket puppets recém-criados com incríveis score A por quem teve a reputação prejudicada e não tem mais chances de entrar no jogo com seu perfil verdadeiro? Sim amiguinho! É o que restou.

Minha primeira reação foi: vou correr para o concorrente! Aí lembrei daquela minha promessa, de que jamais voltaria a usar o BitLendingClub. Conversei um pouco com um amigo meu, e ele me convenceu a desobedecer minha própria promessa e dar mais uma chance. Não consegui ficar nem 10 minutos lá e saí vomitando de novo, prometendo mais uma vez que jamais iria voltar (dessa vez é pra valer, eu prometo publicamente!). E ainda tinha esperanças de “consertar” o BTCJam que pra mim havia cometido um suicídio e nem convidado seus usuários para o enterro.

Desilusão total e a morte do zombie, R.I.P. BTC Jam

Eu achei que esse absurdo de travar a taxa teria uma forte repercussão na comunidade bitcoin. Teve até uma leve polêmica na comunidade brasileira, mas foi totalmente ignorado internacionalmente. Minha última esperança então é que tivesse uma coisa legal no Qntra.net. Lá sempre tem coisas legais e eles sempre estão atentos a tudo. Mas nada! Então corri para o #bitcoin-assets (#b-a) e postei:

felipelalli:Anyone can write about this on qntra.net? They just eliminate one of the best features of BTCJam. [15]

Foi então que a “turminha do barulho” [16] me explicou que o suposto “suicídio” do BTCJam, era na verdade um tiro na testa de um zombie:

danielpbarron: to be fair, things like btcjam are already dead; this is more like shooting the zombie in the head so that it stops trying to feast on brains [17]

Essa frase foi simplesmente perfeita. Mas ainda no momento eu estava com aquele gostinho de esperança, ainda muito cego por toda a ilusão que tive até então.

Apesar de relutante, abri a mente para ouvir. Ênfase para este trecho: http://log.bitcoin-assets.com/?date=22-03-2015#1063881 (ler até 04:13:46). Muito bem dito pelo Mircea Popescu, quem eu pré-julguei um pouco mal na minha postagem anterior [16].

(Para fazer justiça, preciso fazer uma reparação: apesar do estilo um pouco polêmico, ele é sim super atencioso e está sempre aberto a conversar, principalmente se você vier com bons argumentos e “já tiver lido seu blog inteiro e todo o log do #b-a” (isso entre aspas foi apenas uma brincadeira provocativa à sua clássica frase: “i’ve been saying plenty about it, here and on the blog” [18] – ainda vou fazer um bot que se alguém colocar “mircea_popescu” e “um ponto de interrogação” na mesma frase, ele cospe frases prontas desse tipo))

O que fazer com o morto-morto?

Ignore, não use. Ter o seu nome associado ao BTCJam ou outro serviço similar, o que poderia parecer melhoria de reputação, é na verdade um atestado de burrice (ok, eu fui burro). Agora minha conta vai ficar lá parada, mostrando que eu já fui iludido um dia. Se você não sabe ainda, fuja enquanto é tempo, porque eles nem oferecem a opção de apagar sua conta (sim, eu tentei). Apesar de que agora não quero mais apagar, por uma razão histórica, e para não quebrar os links que coloquei aqui nesta postagem.

Além dos inúmeros problemas citados neste artigo, há um problema intrínseco de spam. Lembra que eu falei que uma das vantagens era que eu não precisava fazer spam para meu círculo de amizade? Na verdade, eu não fazia, mas muita gente fazia nas comunidades brasileiras de bitcoin. Muita gente postava os pedidos de empréstimos do BTCJam quase que implorando e/ou contando uma história triste, como um mendigo virtual mesmo, poluindo todo lugar que eu olhasse. E isso é péssimo!

E agora?

Então como pedir dinheiro emprestado? Meu primeiro conselho é: se possível, nunca peça nada emprestado. Use suas reservas. Mesmo que tenha que escalar uma montanha pra isso. Para que pagar juros gratuitamente? Juros é rasgar dinheiro, e rasgar dinheiro não é uma boa ideia quando você não o tem, ou tem pouco.

Mas e se realmente precisar? Algo vantajoso financeiramente? Ou um investimento certo?

Como pedir bitcoin emprestado? Não faz muito sentido pedir bitcoin, peça em uma moeda mais estável. O bitcoin no final das contas, mesmo no BTCJam, era apenas usado como meio de transferência, e talvez para fugir das injustas regulações estatais.

Como pedir a taxas baixas? Peça para seu círculo de amizade mais próximo, ou para sua família. Comece por sua família, você pode conseguir taxa zero, sem o risco de ser perseguido em caso de catástrofe. Se não conseguir o que precisa, procure negociar com o seu banco. Ou ainda tente alguém no seu WoT do OTC ou assbot no #b-a! Um bom contrato pode minimizar o risco para as duas partes (use GPG [19] e o deedbot [20] [21] [22] para contratos). Pisar na bola seria arriscar sua reputação real.

E o que fazer com seus bitcoins parados? Deixe-os parados. Ao invés de guardá-lo para si, seus bitcoins, tão preciosos, você prefere deixá-los na mão de possíveis golpistas? De pessoas desconhecidas? Se ao menos for investir, invista em algum negócio de alguém no seu círculo de confiança, de preferência utilizando um sistema tradicional e sério como o OTC WoT. Te garanto que existem milhares de outras maneiras melhores para investir do que num celeiro de golpistas. Investir bem no BTCJam é tão ou mais complicado e leva tanto ou mais tempo que investir em outra coisa mais segura. É inútil, não perca tempo com isso, não se arrisque nisso.

Qntra.net: a toca do coelho

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©2011-2015 ToolKitten

Nos primórdios, minha fonte principal de notícias sobre Bitcoin era o Bitcointalk Forum. Mas eu cansei de lá. O formato do fórum, muita informação com uma dificuldade enorme de filtrar pérolas no meio de tanto lixo. Uma coisa meio doentia e confusa. Comecei então a usar o /r/bitcoin (Reddit) como fonte principal porque os melhores mais populares conteúdos são rapidamente selecionados pela comunidade e sobem para a página principal. Inclusive até muitas threads interessantes do próprio Bitcointalk. Toda vez que algum colega ou familiar me enviava algum link da mídia burra eu já tinha visto antes lá.

Foi então que no início de 2015 começaram a aparecer na primeira página diversas notícias e opiniões interessantes provindas de um site com um nome esquisito e a foto de um coelho curioso. Foi então que eu o segui e entrei na toca do coelho. A toca do coelho é o site de notícias e opiniões Qntra.net, mantido por “uma turminha do barulho muito louca e pirada”™.

Logo me apaixonei pelo site: simples, objetivo, com conteúdo inteligente e bastante provocativo, do jeito que eu gosto. Rapidamente se tornou minha fonte principal e séria de notícias sobre Bitcoin, que eu leio agora antes do Reddit.

Depois de alguns dias vi que no menu do site havia um link chamado “MPEx listing”, e pensei que esse site pudesse estar de alguma forma relacionado a famosa “exchanges das exchanges” MPEx do piradaço figuraça e ultra-polêmico Mircea Popescu. Fiquei muito curioso pra saber mais. Procurei as formas de contato e foi aí que descobri o canal do IRC #bitcoin-assets. É lá que se reúne a tal “turminha do barulho” e é lá que eles conspiram a favor do futuro do Bitcoin. O problema é que o canal é bastante restrito. Quer dizer, problema não, agora acho isso bom. É o perfeccionismo irritante do Mircea aplicado: somente pessoas com reputação suficiente podem pedir voz no canal para si mesmos, ou pessoas com voz podem dar voz às outras. Quem dá suporte a esse esquema é o “assbot”, um fork do bot gribble. Um mínimo deslize no canal e você vai para o limbo. Meu primeiro contato foi com o Bingo Boingo, um dos que escrevem no site. Encontrei seu twitter e provoquei-o: “por que só você e o assbot podem falar naquele canal?”. Eu esperava que ele fosse mais um seguidor fanático no estilo arrogante do Mircea e me desse alguma patada, mas me surpreendi quando ele me recebeu com um tapete vermelho e me explicou tudo: um sujeito anônimo porém muito gente fina. Ele me qualificou com +2 no OTC/gribble e +1 no assbot e comecei a ter o direito de pedir voz no canal. Ele então me orientou: “use esse privilégio com responsabilidade”. É claro que milhares de coisas começaram a borbulhar na minha cabeça, relembrando as sagas do Mircea (e sua suposta — ou seu alter ego — funcionária contratada de RP da MPEx) no Bitcointalk. Comecei a cavar e relembrar tudo, coisas que tinha lido há muito tempo atrás. Nessa relembrança, reli e li outras coisas interessantes, engraçadas, bizarras, brigas, palavras de amor e ódio e tudo mais. Já dentro do canal #bitcoin-assets, fiquei com vontade de perguntar tudo, começando por perguntas idiotas. Me contive e antes de perguntar algo, pesquisava antes para ver se conseguia entender sozinho. Permiti-me algumas vezes perguntar algumas coisas, e perguntando sobre como poderia participar do Qntra.net — sugerindo fazer uma pesquisa de rua no Brasil sobre a imagem do Bitcoin — já sofri uma esculachada épica de seus seguidores e depois do próprio Mircea em pessoa! Ele disse “good point” apenas sobre uma coisa que eu disse: “que não dá pra se confiar em nada que escrevem sobre bitcoin por aí, e é por isso que eu gosto de pesquisas inéditas e originais sobre o assunto, ou que eu mesmo possa verificar a fonte”. O resto ele esculachou.

No dia seguinte, o cientista chefe do bitcoin core mantido por esta Bitcoin Foundation, Gavin Andresen, apareceu no canal. Em meio à polêmica da sua proposta de aumentar gradativamente o tamanho dos blocos do Blockchain [1] [2] [3], onde essa “turminha do barulho” é claramente contra, ele começou perguntando: “como é que eu vou arruinar o bitcoin dessa vez?” — me intrometi e comecei a fazer algumas perguntas de forma educada, sendo uma delas: “quando foi a primeira vez que você arruinou?” — claramente minha empolgação com faíscas não podia durar muito ali naquela troca de mísseis e armamento pesado que iria se iniciar segundos depois das minhas perguntas. Foi então que recebi uma avaliação -1 por “snr penalty” que depois descobri ser ‘Signal to Noise Ratio’, algo como se eu estivesse interferindo negativamente (desviando o foco talvez?). Moral da história: agora eu não tenho mais “voz própria” no #bitcoin-assets. Se eu quiser dizer algo devo pedir pra alguém me dar voz temporariamente. O assbot apenas permite que as pessoas peçam voz a si mesmas com reputação > 0 em segundo grau, e agora tenho -2, o bingoboingo removeu sua qualificação, o usuário ben_vulpes me qualificou -1 dizendo “snr penalty” e o mircea_popescu -1 com “has a very strange idea of when it’s time to talk” [4].

A conversa (guerra) com o Gavin continuou ali (Mircea não estava presente senão seria pior) e eu ouvi argumentos razoáveis contra a proposta do aumento do bloco [5 see the full log here]. Isso me faz dar crédito a eles; eu gostaria de ter estudado o assunto mais profundamente e estar participando em mais alto nível ali, mas agora tudo que posso fazer é participar assistindo. A discussão nem foi tão técnica, ficou bastante na questão econômica. Me pareceu que Gavin se preocupa demais com o Bitcoin ser amplamente adotado (ele foi questionado por isso diversas vezes e não conseguiu responder adequadamente), querendo que o bitcoin seja popular e útil para micro pagamentos, enquanto o grupo contrário, a “turminha do barulho”, se preocupa mais com a integridade da rede, mantendo uma posição extremamente cautelosa e bastante preocupada com uma possível consequência catastrófica após esse hard-fork.

Lendo depois os logs do chat quando eu não estava mais presente, entendi porque o Mircea se irritou de vez comigo:

felipelalli: but I also found too aggressive the numbers of Gavin. And why do you guys hate Gavin? << you will benefit from reading the logs, also googling “site:trilema.com gavin” might help.

É óbvio que eu sabia porque eles odeiam o Gavin. Assim como o Mircea, eu também sou perfeccionista e não iria perguntar isso sem antes ter pesquisado. Foi apenas uma provocação, ao próprio estilo dele, para que eles pudessem explicar ali explicitamente e dar contexto aos que assistem a discussão de fora. Uma pena que ele não entendeu. Ou me subestimou, ou não é tão esperto quanto ele acha que é.

Bom, eu sabia que isso poderia acabar assim, mas explorei até onde pude. Pensei até que eles pudessem ser um pouco mais tolerantes, pela forma como o Bingo Boingo me recebeu tão bem. Mas como imaginava inicialmente, o estilo elitista do Mircea impera ali, e os que chegam de fora tem pouca chance. Não é a toa que muita gente acha o Mircea um verdadeiro babaca, mas ele não está nem aí, continua com seu estilo áspero e seleto. Ele tem sua personalidade e não gosta de melindres.

E não sou eu que vou ficar melindrando, também não jogo esse jogo. Acho que ele e seus seguidores se preocupam honestamente com o futuro do bitcoin e eles tem muito a acrescentar, isso que importa. Acho que as pessoas que trabalham com bitcoin deveriam se envolver mais com o andamento e desenvolvimento do projeto, com decisões técnicas e políticas, e deveriam acompanhar esse canal, e se manterem sempre abertos a argumentos e posições diferentes. Eles criaram até esse curioso projeto: http://thebitcoin.foundation/ com o objetivo de desfazer e/ou polir coisas que eles acham prejudiciais ao bitcoin e que foram implementadas na era Gavin.

Então minha dica é: vá com calma. Pise em ovos. Assista muito, leia muito, aprenda muito antes de querer participar ativamente e sair perguntando tudo, especialmente se for curioso como eu. Uma reputação negativa é difícil de reverter, precisa ser bem convencida. Aprenda a usar GPG direito, OTC WoT, leia Qntra.net, pague e leia o blog do dito-cujo http://trilema.com/, assine e acompanhe o canal #bitcoin-assets. Vale a pena!